terça-feira, 5 de agosto de 2008

Nutrição Funcional pode curar doenças da tireóide

Segundo as estatísticas, os problemas da tireóide têm se tornado cada vez mais comuns, e geralmente demoram para ser diagnosticados. Normalmente se pergunta qual a razão desse aumento dos distúrbios da tireóide. A resposta pode ser encontrada, em boa parte, na alimentação. Vários itens comuns do cardápio cotidiano, para nossa surpresa, não são tão benéficos quanto parecem. Com tantas informações surpreendentes que a ciência possui sobre os malefícios de ingredientes tão comuns e rotineiros, é natural nos perguntarmos, o que devo comer então?
Segunda a nutricionista funcional, Daniela Jobst, a melhor resposta a essa pergunta pode ser encontrada na culinária tradicional. Aquela das avós de nossas bisavós, que sua vez, aprenderam de seus antepassados, e graças aos quais existimos hoje.Infelizmente, existem alguns que julgam poder melhorar os alimentos que existem na natureza, mas felizmente, existe também os que demonstram o prejuízo do processamento industrial dos alimentos em nome de uma pretensa comodidade. Se você deseja evitar ou minimizar problemas de tireóide, evite soja, açúcar e farináceos – principalmente os brancos, glúten, óleos vegetais comuns - usar óleos vegetais poliinsaturados (canola, milho, soja, margarina, etc) e algumas verduras cruas como repolho, brócolis, couve-de-bruxelas, couve-flor e espinafre. Mas vale lembrar que o que é veneno para alguns, é remédio para outros.
Portanto alguns dos alimentos acima podem não fazer mal para sua tireóide, mas sim outros. Para isso é necessária uma análise individualizada de cada caso.A nutricionista funcional Daniela Jobst está à disposição para dar orientações de como mudar sua alimentação em benefício de sua tiróide.

domingo, 3 de agosto de 2008

Esclarecendo as controvérsias sobre a cafeína.

A cafeína é uma substância naturalmente encontrada em sementes ou frutas de pelo menos 63 espécies de plantas mundiais e é parte de um grupo de componentes conhecidos como metilxantinas. A fonte mais comum de cafeína é o café, a semente do cacau, a semente de cola e os chás. A quantidade de cafeína nos alimentos varia dependendo do tamanho da porção, do tipo do produto e do método de preparação. No caso dos cafés e dos chás, a variedade da planta também interfere na quantidade de cafeína.Quantidade de Cafeína nos Alimentos Fonte: FDA, 1998.EFEITOS FISIOLÓGICOS A cafeína é uma substância farmacologicamente ativa e, dependendo da dose, pode ser considerada estimuladora do sistema nervoso central. A cafeína é um dos muitos constituintes nos alimentos que pode exercer efeitos farmacológicos e fisiológicos. Qualquer efeito farmacológico da cafeína é passageiro. Ela não se acumula no organismo e é normalmente excretada dentro de algumas horas após o consumo. A meia vida da cafeína, que é o tempo que leva para eliminar metade da cafeína consumida pelo organismo, varia entre indivíduos e é de aproximadamente de 3 a 4 horas em adultos saudáveis. O fumo aumenta o metabolismo da cafeína, geralmente reduzindo a vida média para cerca de 3 horas. Com o consumo regular há o desenvolvimento de tolerância para os efeitos da cafeína. Por exemplo, uma pessoa que consome cafeína regularmente, pode beber vários copos de café em poucas horas e notar mínimos efeitos enquanto uma pessoa que não é um consumidor regular de pode sentir algum efeito estimulante após ingerir uma ou duas porções. Indivíduos tendem a achar seus próprios níveis aceitáveis de consumo diário de cafeína. Adicionalmente, estudos tem mostrado que indivíduos que consomem cafeína podem melhorar a memória e o raciocínio. Pesquisas indicam que aqueles que consomem cafeína em grandes quantidades, aumentam o tempo de reação em testes de habilidade motora e melhoram a vigilância visual. Nos últimos anos, vários estudos tem sido conduzidos no sentido de associar, os efeitos fisiológicos da cafeína como desencadeadora de algumas patologias e seu possível efeito no aumento da performance de atletas. A seguir podemos verificar as principais conclusões dos estudos realizados até o momento. CÂNCERCom o passar dos anos, ambos, cafeína e café, tem sido associados com certos tipos de câncer, mas estas associações não são sustentadas pelos pesquisadores. ROSEMBERG (1990) revisou uma série de estudos clínicos e epidemiológicos que examinaram a ligação entre câncer de bexiga, cólon e pâncreas e o consumo de café ou chá. Os 13 estudos revisados que incluíram 20000 pessoas, não acharam correlação entre o consumo de café ou chá e a incidência de câncer de bexiga, reto, cólon ou pâncreas. Uma meta-análise realizada por VISCOLI et al. (1993) não encontrou evidências de aumento de risco de câncer na parte baixa do trato urinário com o consumo de café.No caso de câncer de mama, uma revisão científica realizada por LUBIN & RON (1990) examinaram todos os dados ligados ao consumo de cafeína e tumores malignos na mama. Mais de 11 casos controles revisados não estabeleceram uma ligação significante entre a ingestão de cafeína e a incidência de câncer de mama. Especificamente, 3 estudos controles realizados em Israel, nos EUA e França estabeleceram uma associação entre câncer de mama e consumo de café.O guia dietético da Sociedade Americana de Câncer em uma declaração sobre nutrição e câncer diz não haver indicação que a cafeína é um fator de risco para o câncer em humanos e o NACIONAL ACADEMY OF SCIENCES NACIONAL RESEARCH COUNCIL (1989) aponta que não há evidências convincentes relacionando cafeína com nenhum tipo de câncer.DOENÇAS CARDIOVASCULARES Um estudo de 1986 citou uma ligação entre o consumo excessivo de café e doença cardíaca, mas as investigações falharam no que se refere ao grupo controle e outros fatores de risco significativos como dieta e cigarro.Um estudo subsequente conduzido por pesquisadores da Universidade de Havana concluíram que o consumo de cafeína não causa um aumento substancial no risco de doença coronariana ou infarto. O estudo incluiu 4558 homens em idade entre 40 e 75 anos e ajustou para indicações de riscos maiores de doenças cardiovasculares incluindo consumo de gorduras, colesterol e hábito de fumar (LACROIX et al., 1986).Adicionalmente, um estudo sobre o efeito do consumo de café filtrado (a forma mais comum de consumo do café) sobre a concentração de lipídios plasmáticos foi publicado em 1992. Cientistas concluíram que o consumo de café provocou um pequeno aumento nos níveis de HDL, que é tido como protetor contra o risco de doença coronariana. Outros estudos também observaram que o consumo de café filtrado não esta ligado ao aumento das concentrações de colesterol ou doença coronariana.A maioria do café consumido no Reino Unido é instantâneo, e os pesquisadores notaram que estudos anteriores que indicavam uma relação positiva entre o consumo de doenças coronarianas eram relacionados a café não filtrados e fervido, que são consumidos na Escandinava, mas raramente nos EUA. WILLETT et al. (1996) analisaram 85747 mulheres, registrando o consumo de café e o desenvolvimento de doença coronariana. O estudo não encontrou evidências positivas relacionadas ao consumo de café (regular ou descafeinado) e risco de doença coronariana. O estudo também apontou que não há diferenças significativas entre os tipos de café.BAK & GROBEE (1991) conduziram um estudo randomizado duplo cego para examinar o efeito da cafeína na pressão arterial e na taxa sérica de lipídios. O estudo incluiu 69 participantes saudáveis e foi concluído que a cafeína não tem efeito adverso para o risco cardiovascular pela indução de alterações desfavoráveis na pressão sangüínea e lipídios séricos.OSTEOPOROSECom as recentes atenções a respeito da incidência de osteoporose em mulheres na pós menopausa, a relação entre a ingestão de cafeína e saúde óssea é uma área relativamente nova de investigação.Devido os achados de que a cafeína tem impacto na excreção de cálcio, tem sido sugerido como um fator de risco para a osteoporose. Uma série de estudos tem sido realizados nos últimos anos Em 1994, o NATIONAL INSTITUTE OF HEALTH publicou que a cafeína não tem sido associada com efeitos significativos na absorção e excreção de cálcio. Em 1996, um estudo publicado por PACKARD & RECKER observaram a ingestão de cafeína entre mulheres jovens, na terceira década de vida e a relação com a osteoporose. Este estudo, conduzido de 1984 até 1991, acompanhou 145 mulheres de idade colegial saudáveis, concluindo que não há associação entre o consumo de cafeína e a densidade óssea.BARGER-LUX et al. (1990) em um estudo duplo-cego placebo controlado demonstraram que a cafeína (400mg/dia) não tem um efeito apreciável no balanço de cálcio em mulheres na pré menopausa que consomem, pelo menos, 600mg de cálcio por dia, menos que a metade do RDA. Os pesquisadores concluíram que a ingestão moderada de cafeína não interfere na saúde óssea.COOPER et al. (1992) examinou a ingestão de café com cafeína em 980 mulheres na pós menopausa, e mostrou que há associação entre a ingestão de café (equivalente a 2 xícaras/dia) e a redução de densidade mineral óssea. Todavia, esta observação foi feita somente entre mulheres que tinham uma baixa ingestão de leite, sugerindo que a ingestão de café substitui a ingestão de leite para estas mulheres. A suplementação de cálcio para aquelas que consomem pelo menos 1 copo de leite por dia, eliminou a relação entre a ingestão de café e a diminuição da densidade óssea.Devido ao amplo consumo de cafeína, o FDA e pesquisadores conduziram pesquisas extensivas e tem revisado cuidadosamente a faixa de segurança de ingestão de cafeína. Em 1998, o FDA recomendou que fossem realizados estudos adicionais para resolver incertezas a respeito da segurança da ingestão de cafeína. Além disso, The National Academy of Sciences National Research Council e The U.S. Surgeon General's Office publicaram que não há associação estabelecida entre cafeína, normalmente consumida na nossa alimentação e o aumento de risco para a saúde.PERFORMANCEA cafeína também tem sido considerada um ergogênico esportivo por ser um constituinte natural de várias bebidas que são consumidas diariamente, particularmente o café. O efeito ergogênico de algumas ervas, como o guaraná e o mate, pode ser atribuído ao seu conteúdo de cafeína.Tem se sugerido que a cafeína pode melhorar a performance por diversos mecanismos, tais como:1. Estimular o sistema nervoso central e aumentar atenção;2. Estimular a liberação de adrenalina pelas supra renais, que em conjunto com a estimulação nervosa, pode melhorar a função cardíaca e a utilização de substratos (principalmente de ácidos graxos) importantes durante o exercício;3. Facilitar a liberação de cálcio dos locais de estoque propiciando uma contração muscular mais efetiva. Este efeito pode aumentar a força e a potência muscular em atividades que utilizam como principal via metabólica o sistema ATP-CP.Vários estudos recentes concluíram que a cafeína pode ser um ergogênico esportivo efetivo quando consumidos em quantidades legais. Além disso é um ergogênico relativamente seguro para atletas. Super dosagens pode causar vermelhidão na face, nervosismo, ansiedade e palpitações no coração. Pessoas com problemas, como hipertensão arterial, devem consultar o médico antes de fazer uso da cafeína.Apesar da cafeína ser considerada um estimulante, e estimulantes serem proibidos pelo Comitê Olímpico Internacional, sua utilização é permitida por ser um constituinte natural de bebidas como café, chás e refrigerantes. Contudo, quantidade excessivas de cafeína na urina (12 g/ml de urina) levam o atleta a serem desqualificados da competição.A opção de usar ou não a cafeína é do atleta, e caso ele opte pela sua utilização, a dose recomendada é de 5 mg/kg de peso corporal. Esta dose mostrou ser tão efetiva quando altas doses e mostrou não elevar os níveis de cafeína urinária acima de 12 ?g/ml de urina. As pessoas respondem diferentemente aos efeitos da cafeína e alguns estão sujeitos a efeitos adversos que podem prejudicar a performance atlética.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • BAK, A.A.A. & GROBEE, D.E. Caffeine, blood pressure, and serum lipids. Am. J. Clin. Nutr., 53: 971-975, 1991. • BARGER-LUX, M. J. et al. Effects of moderate caffeine intake on the calcium economy of premenopausal women. Am. J. Clin. Nutr., 52: 722-725, 1990. • COOPER, C. et al. Is caffeine consumption a risk factor for osteoporosis? J. Bone and Mineral Research, 7: 465-471, 1992. • LACROIX, A.Z. et al. Coffee consumption and the incidence of coronary heart disease. The New England Journal Medicine, 315: 977-982, 1986. • LUBIN, F. & RON, E. Consumption of methylxantine containing beverages and the risk of breast cancer. Cancer Letters, 53: 81-90, 1990. • NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH. Optimal calcium intake. NIH Consensus Development Conference, June 6-8. Washington D.C., 1994. • PACKARD, P.T. & RECKER, R.R. Caffeine does nor affect the rate of gain in spine bone in young women. Osteoporosis International, 6: 149-152, 1996. • ROSENBERG, L. Coffee and tea consumption in relation to the risk of large bowel cancer. A review of epidemiologic studies. Cancer Letters, 52: 163-171, 1990. • VISCOLI, C.M. et al. Bladder cancer and coffee drinking: a summary of case control research. Lancet, 341: 1432-1437, 1993. • WILLETT, W.C. et al. Coffee consumption and coronary heart disease in women: a tem year follow up. J. Am. Med. Assoc., 275 (6): 458-462, 1996. • NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Diet and Health: Implications for reducing chronic disease risk. Washington D.C.: National Academy Press, 1989.
:: Gema do Ovo: Não Tão Vilão Quanto Pensávamos
O consumo de ovos nos Estados Unidos tem caído dramaticamente no decorrer dos últimos 50 anos, de 400 ovos por pessoa/ano na década de 40, para 235 em 1992. A principal razão para o declínio é o receio de que os ovos, ricos em colesterol, aumentam o risco de doenças coronarianas.A cerca de 30 anos, quando especialistas descobriram a relação entre altos níveis de colesterol no soro sangüíneo e doenças coronarianas, eles rotularam o colesterol dietético - e consequentemente os ovos � como fator predisponente ao incremento do risco de saúde e sugeriram ingestão diária nunca superior a 300 mg. Enquanto o colesterol dietético pode certamente influenciar os níveis de colesterol no soro sangüíneo, estudos recentes sugerem que o maior vilão do aumento de colesterol no sangue não é o colesterol dietético, mas sim as gorduras saturadas contido em nossas dietas. Aparentemente, elas elevam o colesterol no sangue, ao interferir na filtragem das partículas de LDL provindas do sangue. Quando ingerimos alimentos ricos em gordura saturada, as partículas LDL não são removidas e os níveis de colesterol no sangue aumentam. Das 5 gramas de gordura em um ovo grande, mais da metade é insaturada ou monoinsaturada – o tipo de gordura que não eleva os níveis de colesterol (vide tabela).Composição Centesimal (100 g) de micronutrientes, aminoácidos, ácidos graxos e colesterol da gema do ovo.* 1 gema do ovo equivale a 17 gramas; os nutrientes contidos nessa tabela não são encontrados nas tabelas brasileiras de composição dos alimentos. FONTE: SOUCI, FACHMANN e KRAUT. Food Composition and Nutrition Table, 1989.Efeitos da ingestão de um ou mais ovos por dia nos lipídios e lipoproteínas séricas. Vários estudos sobre os efeitos do colesterol da dieta nos lipídios e lipoproteínas indicam que a adição de um ou dois ovo por dia em uma dieta pobre em lipídios tem pouco ou nenhum efeito nos níveis de colesterol sérico.GINSBERG et al. (1994) verificaram os efeitos de dietas contendo 30% de gordura com a adição de nenhum (128 mg/dia de colesterol), um (283 mg/dia), dois (468 mg/dia) ou quatro (858 mg/dia) ovos por dia. Cada dieta foi consumida durante 8 semanas. Os níveis médios de colesterol sangüíneo foram 155, 161, 162 e 166 mg/dl para os períodos de consumo de nenhum, um, dois ou quatro ovos por dia, respectivamente. O colesterol sangüíneo total aumentou 1,5 mg/dl por 100 mg/dia de colesterol dietético adicionado. O colesterol dietético não alterou o perfil das lipoproteínas pós-prandial. Esses dados indicam que a adição de 2 ovos/dia à dietas pobres em gordura tem pouco ou nenhum efeito nos níveis de colesterol sangüíneo em homens adultos saudáveis.SCHNOHR et al. (1994) examinaram os efeitos do consumo de 2 ovos cozidos adicionados à dieta habitual nas concentrações séricas de HDL de indivíduos saudáveis (12 homens e 12 mulheres com idade entre 23 e 52 anos) durante 6 semanas. Depois de 6 semanas de consumo extra de ovos, os níveis séricos de HDL aumentaram 10% (p<0,05) e o colesterol total aumentou 4% (p<0,05), contudo a razão COL/HDL não mudou significativamente. Os níveis de triglicerídeos e de LDL também não mudaram. Este estudo sugere que o consumo moderado de ovos não deve ser rigorosamente restrito em indivíduos saudáveis.McCOMBS et al. (1994) verificaram os efeitos de uma dieta pobre em colesterol em comparação a uma dieta contendo 1100 mg/dia de colesterol. A mudança no colesterol sangüíneo de indivíduos (n=12) que não tinham a apo A-IV-2 allele foi de 22 mg/dl (dose ajustada: 2,3 mg/dl por 100 mg/dia) enquanto que aqueles que tinham a apo A-IV-2 allele (n=11) foi de 6 mg/dl (dose ajustada: 0,7 mg/dl por 100 mg/dia). Este estudo mostrou que os indivíduos que tinham a apo A-IV-2 allele tiveram resposta atenuada em relação ao colesterol dietético. É estimado que somente um a cada sete indivíduos nos Estados Unidos possuem a apo A-IV-2 allele.VUORISTO & MIETTINEN (1994) verificaram os efeitos da ingestão do colesterol em 5 indivíduos vegetarianos. A adição de 3 ovos/dia (690 mg/dia de colesterol) à dieta durante 2 meses aumentou os níveis de colesterol sangüíneo em 23 mg/dl (dose ajustada: 3,4 mg/dl por 100 mg/dia). Os níveis de HDL aumentaram em 10 mg/dl e os níveis da razão LDL:HDL não foram afetados pela ingestão do colesterol. Os autores concluíram que as respostas metabólicas à ingestão do colesterol foram similares para indivíduos vegetarianos e não vegetarianos.KERN (1994) verificaram os efeitos de uma dieta contendo 939 mg/dia de colesterol (5 ovos/dia) nos níveis de colesterol sangüíneo de 16 mulheres (8 controles e 8 com cálculo biliar). Nas mulheres- controle os níveis de colesterol sangüíneo aumentaram em 6 mg/dl (dose ajustada: 0,7 mg/dl por 100 mg/dia) enquanto que nas mulheres com cálculo biliar o aumento foi de 8 mg/dl. Esses dados indicam que em ambos os grupos a absorção e a síntese do colesterol foi diminuída após a ingestão de uma dieta rica em colesterol.GINSBERG et al. (1995) verificaram os efeitos da ingestão de nenhum, um ou 3 ovos/dia nas concentrações plasmáticas de lipídios e lipoproteínas de 13 mulheres. A dose ajustada à resposta do colesterol foi 2,8 mg/dl por 100 mg/dia. O aumento do colesterol plasmático ocorreu tanto na fração de LDL (2,1 mg/dl por 100 mg/dia) como na fração de HDL (0,6 mg/dl por 100 mg/dia). Os autores sugerem que, como encontrado em homens saudáveis, as mulheres saudáveis têm a capacidade de compensar o aumento na ingestão do colesterol.RETZLAFF et al. (1995) verificaram os efeitos da ingestão de nenhum ou 2 ovos/dia como parte da dieta para tratamento da hipercolesterolemia-fase 1 em homens e mulheres com hipercolesterolemia (n = 44) ou com hiperlipidemia combinada (n = 31). Indivíduos com hipercolesterolemia moderada tiveram uma dose ajustada à reposta do colesterol de 1,6 mg/dl por 100 mg/dia enquanto que os indivíduos com hiperlipidemia combinada foram mais sensíveis ao colesterol dietético com uma dose ajustada de 3,2 mg/dl por 100 mg/dia. Esses dados sugerem que os indivíduos com níveis elevados de colesterol sangüíneo não foram mais sensíveis ao colesterol dietético que os indivíduos com níveis de colesterol normal. Ao contrário, indivíduos com hiperlipidemia combinada parecem ser sensíveis ao colesterol dietético.SUTHERLAND et al. (1996) verificaram os efeitos do consumo de um ovo por dia na atividade da enzima colesteril ester transferase e nos níveis de lipídios e lipoproteínas de 32 indivíduos saudáveis com idade entre 20 e 57 anos. A atividade da colesteril ester transferase diminuiu significativamente (p=0,05) em 26 indivíduos que consumiram um ovo, principalmente devido a redução significativa da atividade nas mulheres (-13,4%; p=0,02). Esses dados sugerem que o aumento no colesterol dietético reduz a atividade da colesteril ester transferase, especialmente em mulheres, homens idosos e indivíduos com ingestão habitualmente elevada de colesterol. Além disso, a redução na atividade da colesteril ester transferase pode limitar o aumento do conteúdo de apolipoproteína B em mulheres durante o aumento no consumo de ovo.Vantagem da gema do ovo para o indivíduo diabético. Tanto o ovo inteiro como a sua gema e clara causam demora significativa no esvaziamento gástrico, associado com redução da glicose plasmática e do pico de insulina. Os resultados do estudo de PELLETIER (1996) indicam que o consumo de ovo, especificamente da gema, pode ser interessante na regulação das variáveis metabólicas do metabolismo da glicose.Uma vez que a moderação é a chave para a boa nutrição, comer grandes quantidades de ovos ou de qualquer outro alimento não é uma boa idéia. Por outro lado, abstenção do consumo de ovos também não é recomendada devido aos aspectos positivos da sua ingestão � a variedade que eles acrescentam à dieta, baixo custo e alta densidade nutricional, sendo excelente fonte de aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • GINSBERG HN et al. A dose-response study of the effects of dietary cholesterol on fasting and postprandial lipid and lipoprotein metabolism in healthy young men. Arterioscler. Thromb., 14: 576-586, 1994. • GINSBERG HN et al. Increases in dietary cholesterol are associated with modest increases in both LDL and HDL cholesterol in healthy young women. Arterioscler. Thromb., 15: 169-178, 1995. • KERN F Jr. Effects of dietary cholesterol on cholesterol and bile acid homeostasis in patients with cholesterol gallstones. J. Clin. Invest., 93: 1186-1194, 1994. • McCOMBS RJ et al. Attenuated hypercholesterolemic response to a high-cholesterol diet in subjects heterozygous for the apolipoprotein A-IV-2 allele. N. Engl. J. Med., 331: 706-710, 1994. • PELLETIER X. et al. Effect of egg consumption in healthy volunteers: influence of yolk, white or whole egg on gastric emptying and on glycemic and hormonal responses. Ann. Nutr. Metab.,40 (2): 109-115, 1996. • RETZLAFF BM et al. Effects of two eggs per day versus placebo in moderately hypercholesterolemic and combined hyperlipidemic subjects consuming the NCEP Step-one diet. Abstract Circulation, 92 (suppl): 1668, 1995. • SCHNOHR P et al. Egg consumption and high-density-lipoprotein cholesterol. J. Intern. Med., 235: 249-251, 1994. • SUTHERLAND WHF et al. The effect of increased egg consumption on plasma cholesteryl ester transfer activity in healthy subjects. Eur. J. Clin. Nutr., 51: 172-176, 1997. • VUORISTO M & MIETTINEN TA et al. Absorption, metabolism and serum concentrations of cholesterol in vegetarians: effects of cholesterol feeding. Am. J. Clin. Nutr., 59: 1325-1331, 1994. FONTE: emelindalara.com.br

Gema do ovo: não tão vilã quanto se pensa!

O consumo de ovos nos Estados Unidos tem caído dramaticamente no decorrer dos últimos 50 anos, de 400 ovos por pessoa/ano na década de 40, para 235 em 1992. A principal razão para o declínio é o receio de que os ovos, ricos em colesterol, aumentam o risco de doenças coronarianas.A cerca de 30 anos, quando especialistas descobriram a relação entre altos níveis de colesterol no soro sangüíneo e doenças coronarianas, eles rotularam o colesterol dietético - e consequentemente os ovos � como fator predisponente ao incremento do risco de saúde e sugeriram ingestão diária nunca superior a 300 mg. Enquanto o colesterol dietético pode certamente influenciar os níveis de colesterol no soro sangüíneo, estudos recentes sugerem que o maior vilão do aumento de colesterol no sangue não é o colesterol dietético, mas sim as gorduras saturadas contido em nossas dietas. Aparentemente, elas elevam o colesterol no sangue, ao interferir na filtragem das partículas de LDL provindas do sangue. Quando ingerimos alimentos ricos em gordura saturada, as partículas LDL não são removidas e os níveis de colesterol no sangue aumentam. Das 5 gramas de gordura em um ovo grande, mais da metade é insaturada ou monoinsaturada – o tipo de gordura que não eleva os níveis de colesterol (vide tabela).Composição Centesimal (100 g) de micronutrientes, aminoácidos, ácidos graxos e colesterol da gema do ovo.* 1 gema do ovo equivale a 17 gramas; os nutrientes contidos nessa tabela não são encontrados nas tabelas brasileiras de composição dos alimentos. FONTE: SOUCI, FACHMANN e KRAUT. Food Composition and Nutrition Table, 1989.Efeitos da ingestão de um ou mais ovos por dia nos lipídios e lipoproteínas séricas. Vários estudos sobre os efeitos do colesterol da dieta nos lipídios e lipoproteínas indicam que a adição de um ou dois ovo por dia em uma dieta pobre em lipídios tem pouco ou nenhum efeito nos níveis de colesterol sérico.GINSBERG et al. (1994) verificaram os efeitos de dietas contendo 30% de gordura com a adição de nenhum (128 mg/dia de colesterol), um (283 mg/dia), dois (468 mg/dia) ou quatro (858 mg/dia) ovos por dia. Cada dieta foi consumida durante 8 semanas. Os níveis médios de colesterol sangüíneo foram 155, 161, 162 e 166 mg/dl para os períodos de consumo de nenhum, um, dois ou quatro ovos por dia, respectivamente. O colesterol sangüíneo total aumentou 1,5 mg/dl por 100 mg/dia de colesterol dietético adicionado. O colesterol dietético não alterou o perfil das lipoproteínas pós-prandial. Esses dados indicam que a adição de 2 ovos/dia à dietas pobres em gordura tem pouco ou nenhum efeito nos níveis de colesterol sangüíneo em homens adultos saudáveis.SCHNOHR et al. (1994) examinaram os efeitos do consumo de 2 ovos cozidos adicionados à dieta habitual nas concentrações séricas de HDL de indivíduos saudáveis (12 homens e 12 mulheres com idade entre 23 e 52 anos) durante 6 semanas. Depois de 6 semanas de consumo extra de ovos, os níveis séricos de HDL aumentaram 10% (p<0,05) e o colesterol total aumentou 4% (p<0,05), contudo a razão COL/HDL não mudou significativamente. Os níveis de triglicerídeos e de LDL também não mudaram. Este estudo sugere que o consumo moderado de ovos não deve ser rigorosamente restrito em indivíduos saudáveis.McCOMBS et al. (1994) verificaram os efeitos de uma dieta pobre em colesterol em comparação a uma dieta contendo 1100 mg/dia de colesterol. A mudança no colesterol sangüíneo de indivíduos (n=12) que não tinham a apo A-IV-2 allele foi de 22 mg/dl (dose ajustada: 2,3 mg/dl por 100 mg/dia) enquanto que aqueles que tinham a apo A-IV-2 allele (n=11) foi de 6 mg/dl (dose ajustada: 0,7 mg/dl por 100 mg/dia). Este estudo mostrou que os indivíduos que tinham a apo A-IV-2 allele tiveram resposta atenuada em relação ao colesterol dietético. É estimado que somente um a cada sete indivíduos nos Estados Unidos possuem a apo A-IV-2 allele.VUORISTO & MIETTINEN (1994) verificaram os efeitos da ingestão do colesterol em 5 indivíduos vegetarianos. A adição de 3 ovos/dia (690 mg/dia de colesterol) à dieta durante 2 meses aumentou os níveis de colesterol sangüíneo em 23 mg/dl (dose ajustada: 3,4 mg/dl por 100 mg/dia). Os níveis de HDL aumentaram em 10 mg/dl e os níveis da razão LDL:HDL não foram afetados pela ingestão do colesterol. Os autores concluíram que as respostas metabólicas à ingestão do colesterol foram similares para indivíduos vegetarianos e não vegetarianos.KERN (1994) verificaram os efeitos de uma dieta contendo 939 mg/dia de colesterol (5 ovos/dia) nos níveis de colesterol sangüíneo de 16 mulheres (8 controles e 8 com cálculo biliar). Nas mulheres- controle os níveis de colesterol sangüíneo aumentaram em 6 mg/dl (dose ajustada: 0,7 mg/dl por 100 mg/dia) enquanto que nas mulheres com cálculo biliar o aumento foi de 8 mg/dl. Esses dados indicam que em ambos os grupos a absorção e a síntese do colesterol foi diminuída após a ingestão de uma dieta rica em colesterol.GINSBERG et al. (1995) verificaram os efeitos da ingestão de nenhum, um ou 3 ovos/dia nas concentrações plasmáticas de lipídios e lipoproteínas de 13 mulheres. A dose ajustada à resposta do colesterol foi 2,8 mg/dl por 100 mg/dia. O aumento do colesterol plasmático ocorreu tanto na fração de LDL (2,1 mg/dl por 100 mg/dia) como na fração de HDL (0,6 mg/dl por 100 mg/dia). Os autores sugerem que, como encontrado em homens saudáveis, as mulheres saudáveis têm a capacidade de compensar o aumento na ingestão do colesterol.RETZLAFF et al. (1995) verificaram os efeitos da ingestão de nenhum ou 2 ovos/dia como parte da dieta para tratamento da hipercolesterolemia-fase 1 em homens e mulheres com hipercolesterolemia (n = 44) ou com hiperlipidemia combinada (n = 31). Indivíduos com hipercolesterolemia moderada tiveram uma dose ajustada à reposta do colesterol de 1,6 mg/dl por 100 mg/dia enquanto que os indivíduos com hiperlipidemia combinada foram mais sensíveis ao colesterol dietético com uma dose ajustada de 3,2 mg/dl por 100 mg/dia. Esses dados sugerem que os indivíduos com níveis elevados de colesterol sangüíneo não foram mais sensíveis ao colesterol dietético que os indivíduos com níveis de colesterol normal. Ao contrário, indivíduos com hiperlipidemia combinada parecem ser sensíveis ao colesterol dietético.SUTHERLAND et al. (1996) verificaram os efeitos do consumo de um ovo por dia na atividade da enzima colesteril ester transferase e nos níveis de lipídios e lipoproteínas de 32 indivíduos saudáveis com idade entre 20 e 57 anos. A atividade da colesteril ester transferase diminuiu significativamente (p=0,05) em 26 indivíduos que consumiram um ovo, principalmente devido a redução significativa da atividade nas mulheres (-13,4%; p=0,02). Esses dados sugerem que o aumento no colesterol dietético reduz a atividade da colesteril ester transferase, especialmente em mulheres, homens idosos e indivíduos com ingestão habitualmente elevada de colesterol. Além disso, a redução na atividade da colesteril ester transferase pode limitar o aumento do conteúdo de apolipoproteína B em mulheres durante o aumento no consumo de ovo.Vantagem da gema do ovo para o indivíduo diabético. Tanto o ovo inteiro como a sua gema e clara causam demora significativa no esvaziamento gástrico, associado com redução da glicose plasmática e do pico de insulina. Os resultados do estudo de PELLETIER (1996) indicam que o consumo de ovo, especificamente da gema, pode ser interessante na regulação das variáveis metabólicas do metabolismo da glicose.Uma vez que a moderação é a chave para a boa nutrição, comer grandes quantidades de ovos ou de qualquer outro alimento não é uma boa idéia. Por outro lado, abstenção do consumo de ovos também não é recomendada devido aos aspectos positivos da sua ingestão � a variedade que eles acrescentam à dieta, baixo custo e alta densidade nutricional, sendo excelente fonte de aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • GINSBERG HN et al. A dose-response study of the effects of dietary cholesterol on fasting and postprandial lipid and lipoprotein metabolism in healthy young men. Arterioscler. 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Abstract Circulation, 92 (suppl): 1668, 1995. • SCHNOHR P et al. Egg consumption and high-density-lipoprotein cholesterol. J. Intern. Med., 235: 249-251, 1994. • SUTHERLAND WHF et al. The effect of increased egg consumption on plasma cholesteryl ester transfer activity in healthy subjects. Eur. J. Clin. Nutr., 51: 172-176, 1997. • VUORISTO M & MIETTINEN TA et al. Absorption, metabolism and serum concentrations of cholesterol in vegetarians: effects of cholesterol feeding. Am. J. Clin. Nutr., 59: 1325-1331, 1994. FONTE:ermelindalara.com.br