Os neurônios do intestino ou neurônios entéricos são os principais responsáveis pela manutenção e coordenação das funções digestivas, esclareça-se que funcionam em integração e de maneira harmoniosa com os comandos recebidos do sistema nervoso central.
Para dar idéia da complexidade e do nível de desenvolvimento dos neurônios que constituem o sistema nervoso entérico, à medida que o sistema nervoso foi se desenvolvendo surgiram três tipos básicos de neurônios, os sensitivos que captam os estímulos do meio e os conduzem em direção a centros nervosos onde as informações serão processadas, os associativos que conduzem estas informações para que sejam processadas em diferentes níveis, e os motores que respondem à estimulação. Pois bem, no intestino há semelhança do que acontece no cérebro são encontrados os 3 tipos básicos de neurônios, o que permite a realização de arcos reflexos (passagem de estímulos pelos neurônios sensitivos, associativos e motores) evidenciando uma certa independência de funcionamento. Em termos práticos poderíamos dizer que os neurônios do intestino são até certo ponto capazes de captar informações, processá-las e responder adequadamente conforme a necessidade do momento, é como se "pensassem e tomassem decisões sobre o que fazer" para garantir o bom desempenho das funções de digestão e eliminação das fezes.
Mas por que o intestino precisa de um sistema neuronal tão complexo? . A resposta é simples: basta atentarmos para o fato de que para nos mantermos vivos consumimos energia o tempo todo e que esta energia vem dos alimentos. Ora se o intestino não tiver uma boa coordenação de suas funções e deixar de absorver os alimentos, faltará energia para todo o corpo comprometendo a capacidade de realizar atividades físicas e mentais. Se o alimento percorre o tubo digestivo muito lentamente, pode fermentar e surgir quadros como azia, má digestão e ressecamento das fezes; se percorre muito rapidamente vem a diarréia que tem como principais conseqüências a desidratação e má absorção dos nutrientes dos alimentos. Logo o alimento deve percorrer o tubo digestivo dentro de uma velocidade ideal, para isto conta com a ação dos neurônios entéricos que atuam em conjunto com hormônios controladores do mecanismo da digestão e com informações do sistema nervoso central.
Os principais enfoques dos estudos têm sido o envelhecimento, o diabetes, a desnutrição e alguns estudos de filogênese.
Desnutrição e neurônios entéricos:
São realizados estudos dos efeitos da desnutrição no período de gestação e lactação em ratos, para tanto desnutre-se as mães e estuda-se os efeitos sobre os filhotes. Surpreendentemente nas pesquisas realizadas pelas Profas. Maria Raquel Marçal Natali e Eneri V.S.L. Melo sob orientação do Prof.Dr. Marcílio Hubner de Miranda Neto (UEM) e Prof. Dr. Romeu Rodrigues de Souza (USP), verificou-se que os animais cujas mães são desnutridas na gestação e lactação crescem menos e ganham menos peso, entretanto quando voltam a receber dieta com teor protéico normal os filhotes recuperam-se, e o mais interessante as análises microscópicas demonstram que o animal acumula proteínas dentro dos neurônios entéricos como se fizesse uma reserva para uma possível repetição da desnutrição protéica.
Já nos estudos realizados pela Profª. Débora de Mello Gonçales Sant’Ana, onde o rato adulto envelheceu submetido a desnutrição protéica, verificou-se que estes animais perdem mais neurônios que os animais que envelheceram em condições normais de nutrição. O envelhecimento conforme demonstrado pelo Prof. Dr. Romeu Rodrigues de Souza (USP), provoca em humanos redução de 30 a 40 % do número de neurônios, o que pode ser uma das causas de os idosos terem com certa freqüência complicações digestivas.
Os resultados obtidos usando ratos como modelo experimental na UEM, se extrapolado para humanos, sugerem que uma alimentação pobre em proteínas no decorrer da vida pode resultar em acentuação das complicações digestivas relacionadas ao envelhecimento. Portanto o ideal é uma dieta equilibrada, porém uma dieta equilibrada depende de fatores culturais e sociais.
Diabetes e neurônios entéricos:
O grupo vem desenvolvendo várias pesquisas em colaboração com o Prof. Dr. Roberto Barbosa Bazotte do Departamento de Farmácia e Farmacologia, utilizando como modelo ratos com diabetes induzido por estreptozotocina. Tais pesquisas são motivadas pelo fato do diabetes ser uma doença degenerativa que pode afetar os neurônios entéricos diretamente devido a sua fisiopatologia ou indiretamente devido a aceleração do processo de envelhecimento.
Dados da literatura demonstram que as complicações intestinais são comuns em humanos diabéticos justificando- se o estudo dos neurônios entéricos em modelos experimentais que possam contribuir para compreensão de tais complicações.
Pesquisas realizadas pelas Profas. Luzmarina Hernandes, Jaqueline Nelises Zanoni, Evanilde Buzo Romano, Nilza Cristina Buttow e Cristina Teles Fregonesi, demonstram que o diabetes afeta de maneira diferenciada os intestinos delgado e grosso, sendo inicialmente o intestino delgado o que mais sofre, entretanto com o envelhecimento em condições de diabetes torna-se marcante em ambos uma grande perda neuronal.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
'Nutrição em outros países
Ser Nutricionista permite diferentes interpretações com relação à profissão que representa. Em diferentes países, o título de Nutricionista pode ser utilizado por pessoas com diferentes níveis de educação formal, que freqüentaram cursos com diferentes conteúdos e de duração diferentes (de poucos dias a alguns anos). Muitos desses auto-denominados "nutricionistas" aparecem freqüentemente na mídia, fazem afirmações e recomendam dietas duvidosas e questionáveis do ponto de vista do conhecimento científico.
>Canadá: O título de Nutricionista é legalmente protegido em algumas regiões do Canadá, mas não em outras.
>Reino Unido: Qualquer um pode se intitular Nutricionista, sem que haja exigência de nenhuma qualificação formal. Existem, nesse país, várias organizações e sociedades que promovem terapias alternativas, por exemplo, e cada uma delas tem critérios próprios para definir e certificar esse profissional.
>Estados Unidos: O uso do título de Nutricionista é legalmente protegido apenas em alguns estados. Nesse país, existe também o título de Dietista (Dietitian). Para o exercício dessas profissões, alguns estados americanos requerem licença (somente as pessoas licenciadas podem trabalhar como dietistas e nutricionistas), outros requerem certificação (quem não possui a certificação pode trabalhar atuando e desenvolvendo atividades do dietista ou nutricionista, mas sem usar os títulos) e um estado requer apenas registro profissional (mas pessoas não registradas podem trabalhar como dietista ou nutricionista). As exigências para a obtenção da licença, certificação ou registro variam por Estado. A Associação Americana de Dietética concede o título de R.D. - Registered Dietitian - aos que, após completarem o bacharelado e um programa mínimo em Dietética em faculdade ou universidade reconhecida, cumprirem um programa de trabalho prático supervisionado e forem aprovados em um exame de registro para Dietistas.
>América do Sul: O Mercado Comum do Sul (Mercosul) vai priorizar a discussão sobre a profissão de nutricionista no bloco no que diz respeito a registro, formação profissional e trânsito dos nutricionistas nos países-membros. A medida foi sugerida pela Associação Uruguaia de Dietistas e Nutricionistas (AUDYN). De acordo com a Associação, as discussões sobre a profissão já estavam avançadas dentro do Comitê de Nutricionistas no Mercosul (Conumer), que se reúne desde 1996 e é composto por instituições representativas da área. O Brasil é representado no Conumer pelo Conselho Federal de Nutricionistas (CFN).
Nutricionistas na Mídia:
Embora o Brasil conte com muitos profissionais nutricionistas legalmente habilitados e bastante competentes, a veiculação, por canais de televisão, de determinados programas produzidos no Brasil e em outros países acaba por tornar populares pessoas que se denominam nutricionistas e que, muitas vezes, dão orientações dietéticas que muitas vezes não têm nenhuma base nos conhecimentos científicos atuais.
Um exemplo é a britânica Gillian McKeith. Formada em Línguística pela University of Edinburgh, tem especialização em Relações Internacionais pela University of Pennsylvania, um título de mestre e um PhD em cursos à distância - não reconhecidos - do American Holistic College of Nutrition, hoje Clayton College of Natural Health, de Birmingham, Alabama. Conhecida por sua série de TV denominada "You are what you eat" - Você é o que você come - essa auto-intitulada "especialista em Nutrição" tem atraído uma série de críticas em seu país. Em seus livros e programas, é comum que ela recomende "dietas de desintoxicação", "irrigação do cólon do intestino" e que examine a língua de seus pacientes - área restrita à Nutrição funcional. Em seus programas, age de forma anti-ética ao lidar com os pacientes, apelando para a humilhação e para comentários agressivos, chocantes e desrespeitosos sobre sua aparência e seus hábitos alimentares .
Referências: Conselho Federal de Nutricionistas
>Canadá: O título de Nutricionista é legalmente protegido em algumas regiões do Canadá, mas não em outras.
>Reino Unido: Qualquer um pode se intitular Nutricionista, sem que haja exigência de nenhuma qualificação formal. Existem, nesse país, várias organizações e sociedades que promovem terapias alternativas, por exemplo, e cada uma delas tem critérios próprios para definir e certificar esse profissional.
>Estados Unidos: O uso do título de Nutricionista é legalmente protegido apenas em alguns estados. Nesse país, existe também o título de Dietista (Dietitian). Para o exercício dessas profissões, alguns estados americanos requerem licença (somente as pessoas licenciadas podem trabalhar como dietistas e nutricionistas), outros requerem certificação (quem não possui a certificação pode trabalhar atuando e desenvolvendo atividades do dietista ou nutricionista, mas sem usar os títulos) e um estado requer apenas registro profissional (mas pessoas não registradas podem trabalhar como dietista ou nutricionista). As exigências para a obtenção da licença, certificação ou registro variam por Estado. A Associação Americana de Dietética concede o título de R.D. - Registered Dietitian - aos que, após completarem o bacharelado e um programa mínimo em Dietética em faculdade ou universidade reconhecida, cumprirem um programa de trabalho prático supervisionado e forem aprovados em um exame de registro para Dietistas.
>América do Sul: O Mercado Comum do Sul (Mercosul) vai priorizar a discussão sobre a profissão de nutricionista no bloco no que diz respeito a registro, formação profissional e trânsito dos nutricionistas nos países-membros. A medida foi sugerida pela Associação Uruguaia de Dietistas e Nutricionistas (AUDYN). De acordo com a Associação, as discussões sobre a profissão já estavam avançadas dentro do Comitê de Nutricionistas no Mercosul (Conumer), que se reúne desde 1996 e é composto por instituições representativas da área. O Brasil é representado no Conumer pelo Conselho Federal de Nutricionistas (CFN).
Nutricionistas na Mídia:
Embora o Brasil conte com muitos profissionais nutricionistas legalmente habilitados e bastante competentes, a veiculação, por canais de televisão, de determinados programas produzidos no Brasil e em outros países acaba por tornar populares pessoas que se denominam nutricionistas e que, muitas vezes, dão orientações dietéticas que muitas vezes não têm nenhuma base nos conhecimentos científicos atuais.
Um exemplo é a britânica Gillian McKeith. Formada em Línguística pela University of Edinburgh, tem especialização em Relações Internacionais pela University of Pennsylvania, um título de mestre e um PhD em cursos à distância - não reconhecidos - do American Holistic College of Nutrition, hoje Clayton College of Natural Health, de Birmingham, Alabama. Conhecida por sua série de TV denominada "You are what you eat" - Você é o que você come - essa auto-intitulada "especialista em Nutrição" tem atraído uma série de críticas em seu país. Em seus livros e programas, é comum que ela recomende "dietas de desintoxicação", "irrigação do cólon do intestino" e que examine a língua de seus pacientes - área restrita à Nutrição funcional. Em seus programas, age de forma anti-ética ao lidar com os pacientes, apelando para a humilhação e para comentários agressivos, chocantes e desrespeitosos sobre sua aparência e seus hábitos alimentares .
Referências: Conselho Federal de Nutricionistas
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