O impacto da nutrição na performance física dos adeptos de práticas esportivas e de atletas em geral é um tema de discussão histórica no meio científico. Desde que o homem é homem, e conscientizou-se de tal condição, ele encontrou na alimentação a forma de suprir suas necessidades energéticas e a chave para se sair melhor nas tarefas que lhe são designadas, entre elas a própria sobrevivência. Mesmo sem o respaldo da ciência no passado, o homem, através da experimentação e do bom-senso, criou suas próprias regras de alimentação.
QUALIDADE X QUANTIDADE
Os indivíduos não são iguais. Além de apresentarem características físicas particulares, em conseqüência da genética, ainda possuem rotinas diferentes e, no caso do esporte, nível de condicionamento físico e metas estabelecidas discrepantes, fatores que dificultam uma padronização das necessidades alimentares. Entretanto, algumas regras são básicas a todos, sendo atletas ou não.
"O atleta, diferente do indivíduo comum, deve ter em mente que sua principal preocupação em relação à alimentação é com a qualidade do que se come. Comparemos o corpo com um carro de Fórmula 1. Se colocarmos gasolina comum em um carro desses, ele se movimentará como qualquer outro carro, mas não atingirá o máximo de sua potência, pois para isso precisaria de um combustível mais potente. O mesmo acontece com o corpo humano”, define Antônio Herbert Lancha Júnior, doutor em nutrição esportiva e professor titular da Escola de Educação Física, esporte e Saúde da Universidade São Paulo, USP.
Os corredores que estão preocupados com a performance devem ser muito mais rigorosos e disciplinados do que aqueles que visam apenas saúde e bem-estar “A importância da alimentação é diretamente proporcional à complexidade da meta que o atleta tem. Se for manter a saúde, ele ainda tem uma folga e pode sair da linha de vez em quando. Se for correr uma maratona, tem obrigação de seguir à risca a dieta, senão seu desempenho deixará a desejar”. Para Lancha, se o atleta não estiver respeitando um dos três pilares que compõem o treinamento, estará comprometendo toda sua preparação. "Alimentação + descanso + treino devem ser respeitados, pois têm a mesma importância no resultado final: cada um contribui com um terço, ou seja, 33%. São totalmente interdependentes", explica o doutor em nutrição esportiva.
Você sabe que não está se alimentando bem quando:
1) O rendimento cai. O corredor fica visivelmente mais cansado, perde o pique e fica mais suscetível a resfriados e doenças infecciosas, como viroses. Isso porque ocorre a imunosupressão, ou seja, uma baixa no sistema imunológico do corpo, enfraquecendo-o por completo
2) Sente dores musculares constantemente
3) Fica com fadiga crônica. Ou seja, mesmo depois de uma boa noite de sono sente-se cansado
4) Ganha peso.
A NUTRIÇÃO NO DIA-A-DIA DO TREINO
- Não faça exercícios em jejum: para que o corpo se exercite, é preciso que ele esteja abastecido. O principal combustível necessário à atividade muscular é o carboidrato, que, relembrando, em forma de glicogênio muscular, permite a manutenção de trabalhos com carga. Quando o nível de açúcar circulante no sangue está baixo, o organismo não consegue manter a mesma eficiência física. Portanto, perde desempenho
- Hidrate-se sempre: Durante os exercícios, a produção de calor gera suor para que ocorra o resfriamento do corpo através da evaporação. Há perda de líquido. Além disso, a glicose necessita de moléculas de água para entrar dentro das fibras musculares
- Reponha as energias gastas logo após o esforço: Com a atividade muscular e o uso do glicogênio muscular na produção de energia, um hormônio regulador dos estoques de glicogênio está ativo, apenas esperando mais carboidratos para serem levados aos músculos. Sendo assim, o ideal é ingerir alimentos como pão, barrinhas de cereais, frutas, frutas secas imediatamente após o exercício ou até, no máximo, 2h depois.
- Atenção às proteínas: A reparação das fibras musculares, que se rompem com o exercício, é papel das proteínas. Por isso, a dieta deve apresentar alimentos como o leite, queijos, iogurte, carnes, ovos e leguminosas. Uma pessoa deve ingerir 1,4 – 2,0 g de proteína por quilo de peso corporal por dia.
- Respeite os horários das refeições: Eles devem ser determinados de acordo com as características individuais. Se o atleta possui mais que um período de treino por dia, ele pode necessitar de mais que seis refeições diárias; deve alimentar-se sempre próximo aos períodos de treinamento, etc. O recomendado é que devemos nos alimentar a cada 3h, para manter o metabolismo sempre em funcionamento.
- De olho na balança: Com quantidades maiores de proteínas e carboidratos, o atleta deve estar certo de que treina o suficiente para queimar seu combustível, fazendo jus ao que come. Evite frituras, carnes gordas, excesso de óleo nas preparações, requeijão, creme de leite e chantili, sorvetes e outros cremes doces e salgados. Inclua sempre hortaliças (folhas e legumes) no prato e frutas de sobremesa. Elas contribuirão para o fortalecimento do sistema imunológico, depreciado com a prática esportiva intensa.
domingo, 12 de abril de 2009
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